Intentionally Sensory: A experiência multissensorial como estratégia de marca em 2026

Até 2025, a inovação sensorial na indústria de alimentos foi guiada pelo “fator viral”, com fenômenos como as dirty sodas no TikTok e a febre do chocolate de Dubai, impulsionados pela novidade visual e pelo excesso.

Agora, segundo o relatório global da Mintel para 2026, entramos na era do “Intentionally Sensory” (Sensorial Intencional). O futuro não é sobre “chocar” o consumidor, mas sobre usar cor, textura, aroma e som de forma estratégica para estimular os sentidos e consolidar o posicionamento da marca.

Sensorial e emoção: um paralelo necessário

A análise sensorial tradicional mede percepções como sabor, aroma e textura de forma objetiva, usando protocolos científicos. Já a emoção é estudada pela ciência do consumidor, envolvendo fatores contextuais e psicológicos.

Por que isso importa? Porque monitorar emoção é essencial para entender o impacto real da experiência sensorial no comportamento de compra. Protocolos modernos podem integrar métricas emocionais (como escalas de prazer, engajamento ou bem-estar) com dados sensoriais, criando uma visão holística da experiência.

O antídoto para a vida virtual

Vivemos em um cotidiano cada vez mais isolado e digital. O alimento assume o papel de “antídoto tátil”, oferecendo uma pausa real na vida virtual. Inovações que engajam múltiplos sentidos simultaneamente — o som da mordida, a viscosidade na língua, o aroma que preenche a sala — transformam comer em um evento de conexão física e emocional.

Imagem gerada por IA

Inclusão sensorial: design para todos

A tendência multissensorial também é inclusiva. Até 2030, formulações devem considerar grupos historicamente subatendidos:

  • Usuários de GLP-1 (Ozempic/Wegovy): Com apetite reduzido, cada porção precisa entregar alta intensidade sensorial — texturas ricas e aromas complexos para maximizar satisfação.
  • Neurodivergentes: Pessoas com sensibilidade sensorial exigem texturas previsíveis e confortáveis, conceito ligado ao design inclusivo, não apenas à análise sensorial clássica.
  • População sênior: Aromas intensos e cores contrastantes compensam perdas naturais de olfato e paladar.

Reinventando as ocasiões de consumo

As marcas podem redesenhar não apenas produtos, mas momentos de consumo. Ocasiões sociais icônicas do passado (como baladas noturnas) estão sendo reinterpretadas para a Geração Z como “Morning DJ Dance Parties” em cafés, com bebidas funcionais. Elementos multissensoriais — áudio, vídeo, aroma ambiente — criam experiências que vão além do sabor.

O papel da engenharia e da ciência sensorial

Para a indústria, a mensagem é clara: entender expectativas sensoriais — da reologia (textura) ao impacto emocional — é chave para relevância.

Aqui, usamos relatórios de tendências (Mintel, Innova, Kantar) para direcionar protocolos técnicos de análise sensorial, garantindo que testes e métricas reflitam o contexto real de consumo.

Marcas que focarem apenas no sabor ficarão obsoletas. A era do Intentionally Sensory exige integração entre ciência sensorial, engenharia de alimentos e pesquisa emocional.

Referências:

  • Mintel. Global Food & Drink Trends 2026
  • Innova Market Insights. Top 10 Trends 2026: Layers of Delight
  • Kantar Brasil. Consumer Insights Q3 2025: O Consumidor Intencional
  • Food Navigator. The impact of GLP-1 drugs on food formulation